Segunda-feira, Novembro 06, 2006

Did you know, America?

Revi sexta à noite, em boa companhia e em horas impróprias para documentários, o Fahrenheit 9/11. O impacto continua a ser o mesmo.

Este filme é um documentário sobre a Presidência Bush, o 11 de Setembro e o Pós 9/11, centrado na Guerra do Iraque.

E todas as pessoas do mundo inteiro deviam ver.

Começamos com a eleição de Bush. Como muitos recordarão, foi um pouco dúbia para a comunidade internacional. Pois bem, na América foram detectadas irregularidades em vários estados – cujos procuradores eram amigos, associados ou familiares dos Bush – e foram apresentadas vários abaixo – assinados a denunciar a situação e a pedir nova votação ao Supremo Tribunal. Para que pudessem ser analisadas, teriam de conter pelo menos uma das assinaturas dos constituintes do ST. Nem um se dignou a colaborar com os cidadãos americanos que representa. Todos tinham (têm) relações políticas com os Bush.

Bem, concluímos que na nação mais próspera e prepotente do mundo o Presidente foi eleito de uma forma corrupta. E ninguém fez nada.

O Sr Bush, instalado no seu posto mais alto de incompetência (depois de um passado de infrutíferas gestões de empresas, todas falidas, but who cares, na verdade eram fictícias e escondiam outros negócios de qualquer forma), como o fantoche que é, foi de férias. Foi jogar golf, brincar com o cão, atirar aos pássaros… passou meses infinitos na sua quinta do Texas. E , na verdade, para que é que ele era necessário em Washington? Toda a gente sabe da sua inutilidade.

Nesse seu período arrastado de férias em que dizia ao povo americano – e ao mundo – que tomava várias decisões e tinha reuniões muito importantes pelo computador, recebeu vários dossiers que nem abriu. Nomeadamente de possíveis ataques terroristas eminentes aos States. Com aviões.

Bush cortou nas verbas destinadas à protecção contra ataques terroristas, no momento em que elas eram mais necessárias.

Dando ao Bush a importância que lhe cabe, passemos ao seu pai.” Access is power. And I can talk with my Dad whenever I want”, dizia o Bush filho quando o Bush pai era presidente dos EUA.
Pois bem, anos depois é o paizinho que pode falar com o seu filho quando quiser. E decidir por ele. E pelo bem dos negócios da família.

No dia 11 de Setembro, estava o George W. Bush entretido com as crianças de uma escola primária a ler “O meu cabritinho” quando um acessor lhe veio dizer ao ouvido que a América estava a ser vítima de um ataque terrorista. Mr Bush deixou-se ficar sentado, ao som das leituras inocentes das crianças, sete longos minutos. Enquanto morriam cidadãos americanos. Queimados. Sufocados. De medo.

G. W. Bush fugiu, mais uma vez. Refugiou-se e mandou fechar TODOS os aeroportos do seu país. As únicas pessoas que puderam voar de volta a casa foram os familiares do Sr Bin Laden. Sim, exactamente. O mesmo que organizou o ataque. E matou mais de 3000 pessoas. Sim, só os terroristas tiveram autorização de, depois do trabalho feito, voltarem ao seu país.

A justificação foi que era um acto de protecção para que não fossem ostracizados pelos americanos já que a família Bin Laden era muito simpática e querida aos States. À excepção do Osama que sempre tinha sido a ovelha negra, coitadinho. Toda a restante família era muito séria e honesta.

Pois bem, depois do governo americano ter ajudado os terroristas a fugir às investigações dos seus próprios serviços secretos, adiou o mais que pode a formação de comissões independentes e quando finalmente houve um relatório oficial do 9/11, não foi tornado público. E 28 páginas foram censuradas pela família Bush.

Porque terá sido?

Os taliban estavam no Afeganistão. Toda a gente sabia. E por isso bombardearam este país. Dois meses depois do 9/11. Tempo suficiente para eles se porem a andar para local indefinido. Ainda assim, bombardearam o país. Para calar os americanos. Obviamente que não mataram ninguém, a não ser civis.

“I don’t really spend much time thinking about him (Osama Bin Laden).”, George W. Bush, minorizando a importância do cérebro dos ataques. Chegava o tempo de cumprir a segunda parte do plano. Do Bush.

Do plano, sim. Michael Moore não é estúpido, ao contrário de muito boa gente. Trabalhou anos a fio para obter este documentário, verídico, com documentos oficiais, com a história toda. Para defender o seu país desta família de White-collar-thieves.

Mas muita gente continua sem saber. Por isso eu escrevo aqui. A família Bush tem empresas conjuntas com a família de Osama Bin Laden. Empresas de Armamento. Com o 11 de Setembro, estas empresas lucraram milhões de dólares. Têm nomes. A Principal é a CARLYLE, a que foi seleccionada para defender o país de ataques terroristas. Ataques terroristas provocados pelo Osama Bin Laden.

Estão a ver a pescadinha de rabo na boca?

Facilmente concluirão que o pai do presidente dos EUA poderá ter morto mais de 3000 pessoas num plano conjunto com os Bin Laden para ganhar dinheiro. Só isso, $. Sem razões políticas, sem diferenças religiosas. Só para ganhar dinheiro. O filho, o tal presidente dos EUA, cumpriu o seu papel de se pôr em segurança e dar as condolências doídas às famílias que tinham perdido os seus entes queridos. Os tais que lhe encheram ainda mais os bolsos.

Passávamos à segunda parte do plano. O PETRÓLEO. Ora bem, os Bush queriam ganhar ainda mais dinheiro. E a melhor forma, claro, era invadir e dominar um país com petróleo. O Iraque parecia bem. Com jeitinho, dir-se-ia que o Saddam Hussein era um diabo (que é) e que era preciso persegui-lo e prendê-lo. Para o bem do mundo.

Pois bem, só era preciso convencer o mundo disto.
Qual a melhor forma de levar um ser humano a fazer tudo o que queremos? Eu diria, na minha atitude simplória, talvez com amor. Uma pessoa quando está apaixonada faz tudo por nós. Fica cega.

É uma forma válida, mas era impossível fazer com que o planeta se apaixonasse por George W. Bush. Eu diria impossível.

Pois bem, então usa-se o MEDO. Sim, sim, o que não fazemos nós por medo? Perante a ameaça de nos tirarem a casa, o ordenado, os familares, os amigos, a vida, o que não fazemos nós? Em último caso, até alinharíamos numa ditadura. Subtilmente ou não, abdicaríamos do nosso espaço próprio e veneraríamos quem nos garantisse segurança.

Foi o que os Bush fizeram. Por tempo indeterminado, a América manteve-se em alerta laranja-amarelo-vermelho-amarelo-laranja-vermelho…. Em qualquer momento se podia dar um ataque terrorista, mesmo na aldeia mais insignificante do Estado mais pobre. Era preciso desconfiar de todos. E confiar no Presidente.

E se o Presidente disser que é preciso atacar o Iraque, temos de apoiá-lo. É o nosso Presidente. É o nosso País. Mesmo que não faça sentido nenhum. Ou que o único sentido que faça seja o de ir lá roubar o petróleo e encher-se de dinheiro. Mas isso ninguém quis ver.

Apelando ao forte sentido nacionalista dos americanos, sobretudo dos mais pobres e perdidos na vida, Uncle Sam is calling for you. A América cedeu mais uma vez os seus filhos para irem combater. Eles próprios nem sabiam porquê, o que era preciso era abatê-los, atirar como se fosse uma Playstation.

Só que não era. E os soldados inchados pelas suas metralhadoras não esperavam encontrar resistência, nem vítimas, nem sofrimento, nem a morte. E os que ficaram nos US só viam o que a comunicação social lhes queria mostrar. A grandeza da América.

Este filme foi lançado cirurgicamente antes da reeleição de Bush. Para que as pessoas abrissem os olhos. Mas ninguém gosta de se tomar por estúpido, e muito menos confrontar-se com a certeza de se estar a ser enganado. Por isso mais vale vaiar Michael Moore por ele trazer aquilo que ninguém quer ver. Que é a realidade.

“Será que os últimos 4 anos nunca aconteceram? Terá sido apenas um sonho?”, diz a voz irónica de Michael Moore.

É uma impotência, mas a única coisa que posso fazer é propagandeá-lo.