Segunda-feira, Novembro 06, 2006



Vinte e sete vezes

Ao descer a Avenida da Liberdade, um dos meus muitos sítios preferidos em Lisboa, lavando a vista nos luxuosos e esguios fatos que por lá passavam, 27 foi o número de vezes que os meus sapatos fashion-lindos-de-morrer-caros-como-tudo se espetaram na nossa portuguesinha calçada portuguesa.

Entre passos que se queriam firmes e convictos, procurei e refugiei-me nas (poucas) partes lisas do passeio.

Porém, a ligá-las há pontezinhas de pedras brancas e azuis, compostas em desenhos muito nacionais, maliciosamente separadas por pequenos espaços onde encaixavam os meus saltos com uma tal perfeição que eu, sempre de cabeça erguida, pausava a minha marcha, curvava o meu corpo, debruçando-me sobre o pé preso e puxava delicadamente o sapatito para nova área de segurança.

Se me virem a mim ou a outra vítima numa situação deste género, não riam. Sejam condescendentes. É que os sapatos são mesmo giros…